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STRANGER THINGS 5: O FINAL FOI UM FRACASSO? UMA ANÁLISE PROFUNDA COM SPOILERS 🧢

O fim de Stranger Things não é apenas o fim de uma série. É o encerramento de uma década de vínculo emocional entre público e personagens que cresceram diante dos nossos olhos. Por isso, o impacto do final da quinta temporada não pode ser medido apenas em termos de “foi bom” ou “foi ruim” — ele precisa ser entendido como um fenômeno narrativo, emocional e cultural. E ainda assim, a pergunta permanece ecoando entre os fãs: 👉 Stranger Things 5 entregou o final que essa história merecia?

1/3/20264 min ler

O QUE STRANGER THINGS SEMPRE FOI DE VERDADE 🧡

Antes de falar do final, é essencial entender o que Stranger Things sempre foi.

A série nunca foi, no fundo, sobre monstros. Ela foi sobre crianças enfrentando o desconhecido — seja esse desconhecido um ser interdimensional, a perda de um amigo, o crescimento, o luto, a solidão ou a própria identidade.

O terror sempre foi a metáfora. O coração sempre foi o centro ❤️

Por isso, qualquer avaliação do final precisa levar em conta essa dualidade:
Stranger Things como épico sobrenatural e Stranger Things como drama humano.

O problema é que, no final, essas duas camadas não se equilibraram.

O FINAL FUNCIONA COMO DESPEDIDA EMOCIONAL 😢✨

Em termos emocionais, a temporada acerta em vários momentos.

A despedida dos personagens é melancólica, contida e respeitosa. Não há uma catarse explosiva, e isso é coerente com o tom que a série sempre teve — mais nostálgico do que triunfal.

Will finalmente deixa de ser apenas o garoto marcado pelo trauma e se torna alguém ativo, consciente e decisivo. Ele escolhe o lado do bem não por obrigação, mas por convicção. Isso dá ao personagem uma dignidade que ele nunca teve totalmente antes.

A relação entre Dustin e Steve, construída desde a segunda temporada como uma das mais queridas da série, ganha um peso emocional enorme justamente porque a série brinca com a possibilidade da perda — e isso é feito de forma honesta e cruel, como a vida costuma ser.

Joyce, Hopper, Eleven… todos são tratados com respeito emocional. A série entende que essas pessoas importam para o público, e cuida da despedida delas.

Nesse sentido, o final funciona como fechamento afetivo 🧡

O PROBLEMA: O FINAL FALHA COMO CLÍMAX NARRATIVO ⚡

E aqui começa o conflito.

Stranger Things passou cinco temporadas construindo uma mitologia gigantesca:
o Mundo Invertido, o Devorador de Mentes, Vecna, as fendas dimensionais, os experimentos, a conexão psíquica de Eleven, o impacto disso tudo no mundo real.

Mas quando chega o momento de resolver tudo isso… a série parece com pressa.

A batalha final, que deveria ser o ápice de toda a saga, acontece rápido demais, com pouco espaço para tensão real. Não há aquela sensação de “isso pode dar muito errado”. Não há a angústia que marcou, por exemplo, a quarta temporada.

O Devorador de Mentes — uma entidade construída por anos como quase divina — é derrotado em minutos.

Vecna, que deveria ser o antagonista mais profundo da série, morre fácil demais.

Não há sacrifício irreversível.
Não há consequência narrativa que realmente mude tudo.
Não há aquele momento de “não acredito que fizeram isso”.

E isso é grave, porque a série ensinou o público a esperar mais.

VECNA: UM VILÃO PROMISSOR QUE TERMINA RASO 😕

Vecna é, talvez, a maior decepção do final.

Ele tinha tudo para ser um vilão memorável: passado trágico, ligação com Eleven, relação com o Mundo Invertido, uma filosofia própria sobre destruição e reinício do mundo.

Mas a série nunca aprofunda isso de verdade.

Não sabemos:

  • Por que ele quer destruir o mundo além de “o mundo é ruim”.

  • Por que ele se tornou o que se tornou.

  • Qual sua relação exata com a origem do Mundo Invertido.

Ele não é um vilão trágico.
Não é um vilão ideológico.
Não é um vilão cósmico.

Ele acaba sendo só… um vilão funcional.

E isso é pouco para o encerramento de uma saga desse tamanho.

ONDE ESTAVA O MUNDO INVERTIDO DE VERDADE? 🌌

Outra frustração é como o Mundo Invertido — que sempre foi o verdadeiro antagonista — vira quase um pano de fundo.

Cadê as criaturas?
Cadê o ecossistema do horror?
Cadê a sensação de que aquele mundo é incontrolável?

Tudo parece reduzido a um único conflito central, quando a série sempre foi sobre a sensação de que havia algo maior, mais antigo e mais estranho por trás de tudo.

O terror cósmico se torna um terror localizado.
O apocalipse vira um evento quase doméstico.

E isso diminui a escala emocional do final.

ELEVEN E O FINAL ABERTO: POESIA OU FUGA? 🌧️

O destino de Eleven é deixado em aberto. Ela vence, mas não sabemos exatamente o que isso custou.

Ela perdeu os poderes? Está livre? Está vazia? Está em paz?

A série opta pela ambiguidade poética. Mas aqui isso soa menos como arte… e mais como hesitação.

Depois de tudo que ela sofreu, o público merecia uma resposta mais clara.

Não para ser feliz.
Mas para ser verdadeira.

CONCLUSÃO: FOI UM FRACASSO? NÃO. FOI INCOMPLETO. 🧡

Stranger Things não termina mal.
Mas termina pequeno demais para algo que foi gigante.

Ele fecha bem as emoções.
Fecha mal o mito.

Ele respeita os personagens.
Mas não respeita totalmente a própria construção épica que criou.

E isso dói não porque foi ruim — mas porque poderia ter sido inesquecível.

Talvez esse seja o maior paradoxo do final:

👉 Ele funciona como despedida… mas não como conclusão.

E para uma série que marcou uma geração inteira, isso deixa um gosto agridoce difícil de ignorar.